Uma cerejeira na esquina
Alguém viu a tolerância?
Dobrou a esquina,
foi lá pra cima.
Alguém viu, a tolerância?
Dois corações amassados
numa caixa de sapato,
laços de nuvem emoldurados
execrados pelo cansaço.
No ímpeto do afago ligeiro
as coisas passam
e não percebemos.
Alguém, viu a tolerância?
Na corriqueira respiração
quebrou o diamante do mendigo
foi vendida no saco de pão
como migalha, verdade e abrigo.
Ah, alguém viu a tolerânia?
Acabou de passar,
como vômito em forma de ânsia.