domingo, 19 de abril de 2015
bumerangue de uivos
O cerrado mistério dos
olhos
apreensivos.
O vai e vem dos
aplausos,
conferências,
doenças que
dizimam.
Sempre as mãos
erguidas ao céu,
descobertas alquímicas
e os mesmos santos.
Fêmeas
transeuntes do ato,
gérberas
e poluções.
Os vícios a marcar
de dentro,
os jogos
e muros contingentes.
Contextos e famílias
a sobrepor,
credenciais de plástico
e danças folclóricas...
Tudo vários,
tudo Um,
tudo Nós...
sexta-feira, 10 de abril de 2015
Latas arrastadas (codeína telúrica)
Desimportantifique-se.
É menos venéreo ser reconhecido pelo que não se é.
Não cosa um tapete para cada lugar que visitas.
Desaprenda a urgência habilitada a veste.
Seja anfitrião da nudez que hábil pousa.
Ao polir a ferradura que em pegada nomeia a terra,
fazes como o barqueiro que tendo remos naufraga ensacando peixes.
Enquanto esganeia-se em carimbar o vento,
escorre pelo intervalo o néctar do momento.
Tome doçura como alcova e cicuta para febre.
Coma urtiga por um tempo.
Acrescente flor de lótus como costura ao coração.
Dispa-se do lodo que emulsifica tua aparência sintética.
O peso do fórceps e o calar da noite dimensionam o tempo
sem rastelo ou pensamento.
E uma faísca não pode enamorar cimento (a pronúncia desencoraja o substantivo!)
Qual a primazia de um sorriso tatuado, indelével do próprio escarnecer?
Há duas abelhas mortas no frio azulejo da sala.
Formigas começam a tateá-las.
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