quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Trator de Vênus



Travar a batalha da ação consigo mesmo.
O momento correto da omissão.
Todo dia lembrar da linha reta, a de hoje, que é a mesma de ontem, e deve não ser esquecida amanhã.
Amarrar os sapatos com um laço bem apertado,
o que aperta nos incomoda e logo todos vão afrouxar.

Descalço, quero o Definitivo.
Todos querem o alvitre do caminho compacto e direto.
A bula da analgesia em seringa de esperança...
Quero encaixar azulejos em meus objetivos,
colocar estantes nas idéias, ladrilhar minha loucura.

Todos gostam de caminhar, e são homens e mulheres.
Todos vão a lugares públicos sorrindo com seus familiares.
Gostaria de sorrir mais, mas só encontro a sanha do que me interdita...
As vezes não consigo zombar das coisas simples como seres, parques, palavras...

Melhor um sorriso sem dente que um semblante velado.
Todos nascemos nus e chorando.

Um Trajeto e o leque do Sr. Austero




Entrou silencioso como se jamais houvesse andado por aquelas bandas.
Deu uma risada como nunca havera dado antes.
Colocou seu chapéu vermelho num ímpeto vigoroso.
O trêmulo engodo de suas conquistas ali se desvanecia.
Pendurou seu perfumado cachecol numa precisão infernalmente perspicaz.
Seu cheiro áspero e azulado franziu a fronte do dilacerado cosmos.
Beijou uma mulher que passava, resplandecente e viril.
Na quitanda degustou suculentas uvas rubras.
Chorou pela cega senhora que ofereceu-lhe recheados sonhos.
Subiu numa frondosa e triste árvore para escrever linhas desviadas.
Pestanejou duas vezes antes de cair num sono tão profundo,
que até hoje não acordou...