Há flores que não nascem em jardins.
Protuberam em aperto.
Espocam na junção
de blocos de concreto.
Luzem em meio ao lixo.
Sinalizam...
Sobrevivem do descuido.
Brotam do incerto.
Pululam...
Tortas,
coloridas,
disformes,
silenciosas e
fortuitas...
Em seu fascínio,
iludem as estações
que fogem de seu
sombrio encanto.
Procriam!
Derradeiro solilóquio
dos enfermos.
Na incredulidade, almam.
Em seu microscópico festim
licencioso,
trafegam aéreas e indômitas
a perpetuarem-se nos entre,
acima,
abaixo,
e no meio do que a rotina
nos furta...
***"almam" - não sei se existe em dicionários, mas seria o estado de quem resgata sua alma ao se deparar com uma flor. Do meu verbo almar!!!!!!