segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Casa Vazia



Gosto.
Desgosto.
            Gosto. Desgosto.          
 
Esgoto.






                                                                         Inquilinos...

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

cromossomo da compaixão



Com
       paixão.
Sem
       pai,
           
                   chão.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Arrebatei um chafariz ou diamante cremoso ou charuto grisalho



Debaixo do breu da manhã oficio nuvens distraídas.

E no raso das estrelas fugidias mergulho em claro.

Os inutensílios me são mais comuns que o dia.

E noites onde me escondo é quando restou nu.

A invenção e a mentira esbarram na saia uma da outra
fazendo moça de asas.

Quitei minha casa de letras com prestações de 18 luas sem giros.
Ainda falta incomodo para sentar só.
Mesmo assim meu silêncio tem me visitado todo dia.
Ele diz que no chão não da eco.
E a umidade faz cócegas
e sussurra indecências em seus ouvidos.

Antes que a barriga do sol ganhe graça
Fertilizo o sonho com a palavra germinal.
O lápis sente o tempero
e corre para a boca do papel.

Por uma brisa não esqueço de fechar o registro dos sopros.

"É  preciso transver o mundo".

À MaNoEl dE BaRrOs

domingo, 19 de outubro de 2014

Iracema, vó Cema, e a todas avós...

à minha querida vó,


Cuidado que não se expressa em palavra.
Refúgio que acalenta e conforta.
Cheirinho que traz à memória paz, fome e sossego.

Dos quitutes bronzeados ao forno,
o calor enternecido de mãos sedosas que afagam,
aveludadas pelo tempo que escapa.

Da envergadura arqueada
tem-se a atenção felina
de quem foi moldada
para observar o que esta ao redor.

Do alto do ombro pequeno e caído
surge a dimensão do mais tenro travesseiro
(aroma de leite de rosas!),
tão mágico que é capaz de enxugar lágrimas desavisadas.

Avó é esquecer-se em primazia.

É a arte do tempero único que adoça ao choro.
A pitada de sal que faz o riso rasgar a cara.
O contentamento simples em ouvir a última garfada a arranhar a louça.

Brilho esculpido em rugas de satisfação.

Alma que conduz o balanço do berço pela eternidade.
Olhar amoroso que aprendeu a esconder de nós o pesado fardo.
Quem duvida disso?

Vó...

É mãe ao quadrado!!!!!!!

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

              Esmola


Dei uma flor a ele pois era dia de finados.

Dei um adeus como quem se despede.

Dei uma prece barata cheia do que nem cabe.

E um relógio de pulso como brinde ao vento.

Que em caricias gratas me aprisionou no tempo.

Era pouco, hoje findo dissoluto argumento.

Camponesa austera tão peralta entrona pensamento.

Vendi a salvação por um punhado de excremento.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

                  Ávida escápula



Gangorras elétricas penduradas aos postes de iluminação pública.

Minha perna pendia ao vento tóxico.
E das cicatrizes atômicas escapavam revoadas de animais sintéticos.
Janelas atônitas praguejavam violetas plúmbeas a desabar em meu leito diagnosticado.

A febre que me impunha o novel delírio tinha o áspero odor da velha barbárie.

Decompunha meu ofício em ossos nauseabundos de anistia placentária...

quinta-feira, 19 de junho de 2014

A pequena Azaleia



Azaleia costumava deformar o pôr do sol.

Com seu abridor de manhãs rasgava o horizonte a libertar passarinhos.
Antes que o orvalho precipitasse a secar, sorvia-o integralmente em sua memória.
Hoje Azaleia mora na minha. 
É uma menina danada, de riso maroto.
Credencia suas pequenas glórias ficando com sono e recostando em meu ombro esquerdo.
Diz que tem uma amiga mariposa que fica em frenesi batendo as asas quando ela cantarola.
Convencida que seu maior pecado foi rir na contramão, Azaleia dá-me a mão e alucina as estrelas.
Gosta de trocar as vogais das palavras e secreta-me que é difácil viver.
Eu acredito...

terça-feira, 25 de março de 2014

Cicatrizes de alfazema



Há flores que não nascem em jardins.

Protuberam em aperto.
Espocam na junção 
de blocos de concreto.
Luzem em meio ao lixo.
Sinalizam...

Sobrevivem do descuido. 
Brotam do incerto.
Pululam...

Tortas, 
coloridas, 
disformes, 
silenciosas e 
fortuitas...

Em seu fascínio,
iludem as estações 
que fogem de seu 
sombrio encanto. 

Procriam!

Derradeiro solilóquio 
dos enfermos.
Na incredulidade, almam.

Em seu microscópico festim 
licencioso,
trafegam aéreas e indômitas
a perpetuarem-se nos entre, 
acima, 
abaixo,
e no meio do que a rotina 
nos furta...




***"almam" - não sei se existe em dicionários, mas seria o estado de quem resgata sua alma ao se deparar com uma flor. Do meu verbo almar!!!!!!

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Verdade?

Ver da de covarde...dedar, vê?

A cova não arde. Silencia o fogo!

Essa tarde dois urubus sobrevoavam o ninho no alto de um prédio.

Alimentariam suas crias...Despontuais...Presentes!

Difícil saber quantas sonatas nosso violino gorjeará antes de cansar...

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Espelhos do sonho

Essa poesia harmoniza com esse disco: http://www.youtube.com/watch?v=gj1ydd5ovuI
Na noite vejo duas saídas: 
uma que se esconde, 
outra que abriga.

A lua cautelosa,
quieta vigia.

No corpo não 
tem para onde 
fugir...



A cadeira de balanço e o torniquete de vento



A volta é breve.
Nas alvas plumas distingo
um ponto,
que se ofusca diante da 
claridade.

A trajetória é oscilante.
Com os dias,
se torna cansativa e 
hesitante,
ao olhar dominado
pelo arredio tempo 
cansado.

Tempo? 
Em seu prado vagaroso 
ou abstinência frenética.
Atrás, números;
Revés, frente.

Soldados;
Planos sólidos.
Fardos ácidos.