terça-feira, 25 de março de 2014

Cicatrizes de alfazema



Há flores que não nascem em jardins.

Protuberam em aperto.
Espocam na junção 
de blocos de concreto.
Luzem em meio ao lixo.
Sinalizam...

Sobrevivem do descuido. 
Brotam do incerto.
Pululam...

Tortas, 
coloridas, 
disformes, 
silenciosas e 
fortuitas...

Em seu fascínio,
iludem as estações 
que fogem de seu 
sombrio encanto. 

Procriam!

Derradeiro solilóquio 
dos enfermos.
Na incredulidade, almam.

Em seu microscópico festim 
licencioso,
trafegam aéreas e indômitas
a perpetuarem-se nos entre, 
acima, 
abaixo,
e no meio do que a rotina 
nos furta...




***"almam" - não sei se existe em dicionários, mas seria o estado de quem resgata sua alma ao se deparar com uma flor. Do meu verbo almar!!!!!!

4 comentários:

Anônimo disse...

Muito, muito bom...agora sim.

Unknown disse...

que lindo!! amei esta!! parabens dani!

Unknown disse...

lindo demais!! parabéns dani!!

Jeanzito disse...

Muito bom, meu amigo!