sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Verdade?

Ver da de covarde...dedar, vê?

A cova não arde. Silencia o fogo!

Essa tarde dois urubus sobrevoavam o ninho no alto de um prédio.

Alimentariam suas crias...Despontuais...Presentes!

Difícil saber quantas sonatas nosso violino gorjeará antes de cansar...

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Espelhos do sonho

Essa poesia harmoniza com esse disco: http://www.youtube.com/watch?v=gj1ydd5ovuI
Na noite vejo duas saídas: 
uma que se esconde, 
outra que abriga.

A lua cautelosa,
quieta vigia.

No corpo não 
tem para onde 
fugir...



A cadeira de balanço e o torniquete de vento



A volta é breve.
Nas alvas plumas distingo
um ponto,
que se ofusca diante da 
claridade.

A trajetória é oscilante.
Com os dias,
se torna cansativa e 
hesitante,
ao olhar dominado
pelo arredio tempo 
cansado.

Tempo? 
Em seu prado vagaroso 
ou abstinência frenética.
Atrás, números;
Revés, frente.

Soldados;
Planos sólidos.
Fardos ácidos.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Trator de Vênus



Travar a batalha da ação consigo mesmo.
O momento correto da omissão.
Todo dia lembrar da linha reta, a de hoje, que é a mesma de ontem, e deve não ser esquecida amanhã.
Amarrar os sapatos com um laço bem apertado,
o que aperta nos incomoda e logo todos vão afrouxar.

Descalço, quero o Definitivo.
Todos querem o alvitre do caminho compacto e direto.
A bula da analgesia em seringa de esperança...
Quero encaixar azulejos em meus objetivos,
colocar estantes nas idéias, ladrilhar minha loucura.

Todos gostam de caminhar, e são homens e mulheres.
Todos vão a lugares públicos sorrindo com seus familiares.
Gostaria de sorrir mais, mas só encontro a sanha do que me interdita...
As vezes não consigo zombar das coisas simples como seres, parques, palavras...

Melhor um sorriso sem dente que um semblante velado.
Todos nascemos nus e chorando.

Um Trajeto e o leque do Sr. Austero




Entrou silencioso como se jamais houvesse andado por aquelas bandas.
Deu uma risada como nunca havera dado antes.
Colocou seu chapéu vermelho num ímpeto vigoroso.
O trêmulo engodo de suas conquistas ali se desvanecia.
Pendurou seu perfumado cachecol numa precisão infernalmente perspicaz.
Seu cheiro áspero e azulado franziu a fronte do dilacerado cosmos.
Beijou uma mulher que passava, resplandecente e viril.
Na quitanda degustou suculentas uvas rubras.
Chorou pela cega senhora que ofereceu-lhe recheados sonhos.
Subiu numa frondosa e triste árvore para escrever linhas desviadas.
Pestanejou duas vezes antes de cair num sono tão profundo,
que até hoje não acordou...

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Tiros de festim para um baile delicado



O último grito evocado das entranhas que secam ao sol.
Janela que se abre ao vento que raja em fúria.
Ríspido deserto em que medro minha dor.
Ao alcançe do olho a miragem é esperança.
Gastarás o derradeiro suspiro na crença do novo dia?
Antes da despedida restarão apenas o eco dos aplausos...

sexta-feira, 15 de julho de 2011

                                           Uma cerejeira na esquina



Alguém viu a tolerância?
Dobrou a esquina,
foi lá pra cima.

Alguém viu, a tolerância?
Dois corações amassados
numa caixa de sapato,
laços de nuvem emoldurados
execrados pelo cansaço.
No ímpeto do afago ligeiro
as coisas passam
e não percebemos.

Alguém, viu a tolerância?
Na corriqueira respiração
quebrou o diamante do mendigo
foi vendida no saco de pão
como migalha, verdade e abrigo.

Ah, alguém viu a tolerânia?
Acabou de passar,
como vômito em forma de ânsia.

sábado, 25 de junho de 2011

Corpo, um pouco de êxtase e parodoxo

        ......................

Um encontro.
Um cheiro.
Um sentido.

Dois encontros.
Dois cheiros.
Dois sentidos.
Dois olhares.
Dois gestos.
Dois abraços.

Três encontros.
Três cheiros.
Três sentidos.
Três olhares.
Três gestos.
Três abraços.
Três aflitos ruídos.
Três sopros,
três gemidos.


Simbologia
O número 3 tem uma grande importância simbólica de união e equilíbrio, aparecendo na Santíssima Trindade, nos três poderes (jurídico, executivo, legislativo), em Os três mosqueteiros, os Três Porquinhos etc, sendo recorrente sua presença na literatura e nas artes.
Três também é um número chave da democracia, pois é a quantidade mínima de pessoas necessárias para que se consiga tomar uma decisão em grupo.
Também é conhecido sexualmente em Ménage à trois.
O três também é usado como pedido de socorro. Para pedir socorro no deserto ou em alguma outra região, basta fazer três fogueiras, porque três é um código mundial.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

O tráfego da lua

O incompreensível cintila pelas frestas,
arrepio na altura da vértebra distraída.
A cortina do absoluto desviada em arestas
e a loucura incendeia o solo da saída.

Se apenas um passo me resta,
escolho o caminho lúdico da vida.
Brindo com sangue a festa
de minha sutil despedida.

O sonho se alimenta da fenda mestra,
e o golpe do orvalho na ferida,
nutre a mão destra
dos garranchos dessa vida...

                                               11.06.2005 - 23:55