quinta-feira, 19 de maio de 2011

Epifania

http://www.youtube.com/watch?v=h5ddqniqxFM&NR=1  -  esta canção harmoniza com o texto!!!

Acordei. Estava frio. Era hora de deixá-la. Um cachorro me seguia. Depois de um tempo eu passei a segui-lo. Bati em uma porta de ferro preta. Precisava entrar. A curiosidade me impelia a encontrá-la. Fiz tudo que podia durante segundos a fio. Nada me consolava mais que um trago daquele vinho. Atrasei-me um pouco. Ela parecia uma imagem borrada de um sonho. Fiz de tudo que pude para tentar acompanha-la. Deveríamos transar mais vezes. Realmente os drinques estavam muito bem preparados. Senti um vazio de concha naquele instante. Até o barulho me soava comum. Uníssono. Rasguei aquela foto que sempre levava comigo. Ouvi alguém comentando para não ser tão rude. Deveria entender o sussurro das borboletas. Sentia-me cansado. Precisava lhe falar que estava cansado. Meus olhos pesavam em cima da mesa. Sonhava com o mar e sua inquietude transparente. No fundo sabia que nem isso me acalmaria. Carregaria o inferno para qualquer lugar.  Logo depois, minha família à mesa chamando-me para almoçar com eles. Estava nu. Carregava ao peito uma jóia que parecia um mármore. Azul. Pedi que reservassem um pouco de arroz apenas. Não tinha apetite. Uma sensação estranha dominava-me. Estava em algum lugar anoitecendo. Olhava para a água que parecia poluída, turva. Comecei a andar por um píer com umas palafitas. Tomava muito cuidado com medo de cair na água. Naquele ângulo estava muito límpida, dava para ver o leito. Creio que um parente falecido e outra pessoa estavam ao meu lado, quando uma serpente passa nadando por baixo de nós. Era uma cobra densa, vistosa. Ligo o ventilador. Sinto muito calor. Uma mosca entra pela janela. Ouço palavras distorcidas de um televisor preto e branco. Vez por outra a imagem é cortada, como na vida de quem caminha na contramão. Observo uma névoa estática através dos feixes de sol que começam a penetrar pelos vãos. São insistentes. Canso-me. Entediado ganho os contornos da rua. Retorno e não havia mais sol no quarto. Apenas um vaga-lume que saia pela janela.

3 comentários:

Anônimo disse...

Não sei porque essas palavras me fizeram lembrar de algo vivido!

Anônimo disse...

rsrs ai ai!!!

Anônimo disse...

o.O
rsrs ai ai!!!