quarta-feira, 25 de maio de 2011

Sonata para um homem disperso



Perto do osso a carne é mais delgada,
assim como perto do fim o entendimento é mais vívido,
pois é desnecessário,
a beirar o esquecimento.

Vivemos quando da enunciação do cortejo fúnebre.
Decido não aguardar a prolatação do tempo de relógio.
Quero agarrar o momento já como predador faminto
à frente de seu suculento cervo saltitante.

Esse desejo de possuir o instante para que não se esvaia...

A carne da palavra amor só fica explícita
na eclosão do embrião-dor.
Melhor proteger a retina de uma grande verdade que do sol!
Findo minha busca quando ela se torna inacessível
à mágica do esplendor.

Meu sangue é inquieto.
O coágulo moroso.
Se querer é esperar,
trafico meus sentimentos para um dia encontrar,
nem que tenha com isso que iludir o verbo amar.

2 comentários:

Priscilia Spa disse...

Hum...palavras ditas por alguém com uma alma tão sensível a ponto de expressar o que muitos gostariam de dizer. Fazer o seu próprio tempo, ditar o seu próprio ritmo, enxergar o brilho das coisas e buscar o amor de forma intensa...
Acho que captei isso como essência do seu poema.

Mayra Ruiz disse...

Priscila...

Você também escreve??? Se não escreve, deveria!!!