domingo, 19 de outubro de 2014

Iracema, vó Cema, e a todas avós...

à minha querida vó,


Cuidado que não se expressa em palavra.
Refúgio que acalenta e conforta.
Cheirinho que traz à memória paz, fome e sossego.

Dos quitutes bronzeados ao forno,
o calor enternecido de mãos sedosas que afagam,
aveludadas pelo tempo que escapa.

Da envergadura arqueada
tem-se a atenção felina
de quem foi moldada
para observar o que esta ao redor.

Do alto do ombro pequeno e caído
surge a dimensão do mais tenro travesseiro
(aroma de leite de rosas!),
tão mágico que é capaz de enxugar lágrimas desavisadas.

Avó é esquecer-se em primazia.

É a arte do tempero único que adoça ao choro.
A pitada de sal que faz o riso rasgar a cara.
O contentamento simples em ouvir a última garfada a arranhar a louça.

Brilho esculpido em rugas de satisfação.

Alma que conduz o balanço do berço pela eternidade.
Olhar amoroso que aprendeu a esconder de nós o pesado fardo.
Quem duvida disso?

Vó...

É mãe ao quadrado!!!!!!!

3 comentários:

jesi disse...

Lindo

Regina Célia S.Ruivo disse...

Oi, Daniel!Lindo poema!Abraços.

Unknown disse...

Palavras cheias de ternura!!