sexta-feira, 10 de abril de 2015

Latas arrastadas (codeína telúrica)


Desimportantifique-se.                                       

É menos venéreo ser reconhecido pelo que não se é.

Não cosa um tapete para cada lugar que visitas.

Desaprenda a urgência habilitada a veste.
Seja anfitrião da nudez que hábil pousa.

Ao polir a ferradura que em pegada nomeia a terra,
fazes como o barqueiro que tendo remos naufraga ensacando peixes.

Enquanto esganeia-se em carimbar o vento,
escorre pelo intervalo o néctar do momento.

Tome doçura como alcova e cicuta para febre.

Coma urtiga por um tempo.

Acrescente flor de lótus como costura ao coração.

Dispa-se do lodo que emulsifica tua aparência sintética.

O peso do fórceps e o calar da noite dimensionam o tempo
sem rastelo ou pensamento.
E uma faísca não pode enamorar cimento (a pronúncia desencoraja o substantivo!)

Qual a primazia de um sorriso tatuado, indelével do próprio escarnecer?

Há duas abelhas mortas no frio azulejo da sala.
Formigas começam a tateá-las.


                                                   

Um comentário:

Unknown disse...

Essa foi uma das melhores e mais sarcásticas! Adorei!