quarta-feira, 9 de outubro de 2013
Trator de Vênus
Travar a batalha da ação consigo mesmo.
O momento correto da omissão.
Todo dia lembrar da linha reta, a de hoje, que é a mesma de ontem, e deve não ser esquecida amanhã.
Amarrar os sapatos com um laço bem apertado,
o que aperta nos incomoda e logo todos vão afrouxar.
Descalço, quero o Definitivo.
Todos querem o alvitre do caminho compacto e direto.
A bula da analgesia em seringa de esperança...
Quero encaixar azulejos em meus objetivos,
colocar estantes nas idéias, ladrilhar minha loucura.
Todos gostam de caminhar, e são homens e mulheres.
Todos vão a lugares públicos sorrindo com seus familiares.
Gostaria de sorrir mais, mas só encontro a sanha do que me interdita...
As vezes não consigo zombar das coisas simples como seres, parques, palavras...
Melhor um sorriso sem dente que um semblante velado.
Todos nascemos nus e chorando.
Um Trajeto e o leque do Sr. Austero
Entrou silencioso como se jamais houvesse andado por aquelas bandas.
Deu uma risada como nunca havera dado antes.
Colocou seu chapéu vermelho num ímpeto vigoroso.
O trêmulo engodo de suas conquistas ali se desvanecia.
Pendurou seu perfumado cachecol numa precisão infernalmente perspicaz.
Seu cheiro áspero e azulado franziu a fronte do dilacerado cosmos.
Beijou uma mulher que passava, resplandecente e viril.
Na quitanda degustou suculentas uvas rubras.
Chorou pela cega senhora que ofereceu-lhe recheados sonhos.
Subiu numa frondosa e triste árvore para escrever linhas desviadas.
Pestanejou duas vezes antes de cair num sono tão profundo,
que até hoje não acordou...
quarta-feira, 5 de junho de 2013
Tiros de festim para um baile delicado
O último grito evocado das entranhas que secam ao sol.
Janela que se abre ao vento que raja em fúria.
Ríspido deserto em que medro minha dor.
Ao alcançe do olho a miragem é esperança.
Gastarás o derradeiro suspiro na crença do novo dia?
Antes da despedida restarão apenas o eco dos aplausos...
sexta-feira, 15 de julho de 2011
Uma cerejeira na esquina
Alguém viu a tolerância?
Dobrou a esquina,
foi lá pra cima.
Alguém viu, a tolerância?
Dois corações amassados
numa caixa de sapato,
laços de nuvem emoldurados
execrados pelo cansaço.
No ímpeto do afago ligeiro
as coisas passam
e não percebemos.
Alguém, viu a tolerância?
Na corriqueira respiração
quebrou o diamante do mendigo
foi vendida no saco de pão
como migalha, verdade e abrigo.
Ah, alguém viu a tolerânia?
Acabou de passar,
como vômito em forma de ânsia.
Alguém viu a tolerância?
Dobrou a esquina,
foi lá pra cima.
Alguém viu, a tolerância?
Dois corações amassados
numa caixa de sapato,
laços de nuvem emoldurados
execrados pelo cansaço.
No ímpeto do afago ligeiro
as coisas passam
e não percebemos.
Alguém, viu a tolerância?
Na corriqueira respiração
quebrou o diamante do mendigo
foi vendida no saco de pão
como migalha, verdade e abrigo.
Ah, alguém viu a tolerânia?
Acabou de passar,
como vômito em forma de ânsia.
sábado, 25 de junho de 2011
Corpo, um pouco de êxtase e parodoxo
......................
Um encontro.
Um cheiro.
Um sentido.
Dois encontros.
Dois cheiros.
Dois sentidos.
Dois olhares.
Dois gestos.
Dois abraços.
Três encontros.
Três cheiros.
Três sentidos.
Três olhares.
Três gestos.
Três abraços.
Três aflitos ruídos.
Três sopros,
três gemidos.
Simbologia
O número 3 tem uma grande importância simbólica de união e equilíbrio, aparecendo na Santíssima Trindade, nos três poderes (jurídico, executivo, legislativo), em Os três mosqueteiros, os Três Porquinhos etc, sendo recorrente sua presença na literatura e nas artes.
Três também é um número chave da democracia, pois é a quantidade mínima de pessoas necessárias para que se consiga tomar uma decisão em grupo.
Também é conhecido sexualmente em Ménage à trois.
O três também é usado como pedido de socorro. Para pedir socorro no deserto ou em alguma outra região, basta fazer três fogueiras, porque três é um código mundial.
Um encontro.
Um cheiro.
Um sentido.
Dois encontros.
Dois cheiros.
Dois sentidos.
Dois olhares.
Dois gestos.
Dois abraços.
Três encontros.
Três cheiros.
Três sentidos.
Três olhares.
Três gestos.
Três abraços.
Três aflitos ruídos.
Três sopros,
três gemidos.
Simbologia
O número 3 tem uma grande importância simbólica de união e equilíbrio, aparecendo na Santíssima Trindade, nos três poderes (jurídico, executivo, legislativo), em Os três mosqueteiros, os Três Porquinhos etc, sendo recorrente sua presença na literatura e nas artes.
Três também é um número chave da democracia, pois é a quantidade mínima de pessoas necessárias para que se consiga tomar uma decisão em grupo.
Também é conhecido sexualmente em Ménage à trois.
O três também é usado como pedido de socorro. Para pedir socorro no deserto ou em alguma outra região, basta fazer três fogueiras, porque três é um código mundial.
quinta-feira, 2 de junho de 2011
O tráfego da lua
O incompreensível cintila pelas frestas,
arrepio na altura da vértebra distraída.
A cortina do absoluto desviada em arestas
e a loucura incendeia o solo da saída.
Se apenas um passo me resta,
escolho o caminho lúdico da vida.
Brindo com sangue a festa
de minha sutil despedida.
O sonho se alimenta da fenda mestra,
e o golpe do orvalho na ferida,
nutre a mão destra
dos garranchos dessa vida...
11.06.2005 - 23:55
arrepio na altura da vértebra distraída.
A cortina do absoluto desviada em arestas
e a loucura incendeia o solo da saída.
Se apenas um passo me resta,
escolho o caminho lúdico da vida.
Brindo com sangue a festa
de minha sutil despedida.
O sonho se alimenta da fenda mestra,
e o golpe do orvalho na ferida,
nutre a mão destra
dos garranchos dessa vida...
11.06.2005 - 23:55
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Divagar
Os ávidos assuntos congelam as palavras
que se desfazem em respiração ofegante.
O que se quer alcançar na janela do imediato?
Antes mesmo de aquecer a comida já foi retirado o prato.
O que significa perder tempo?
Se o fruto amadurece em seu momento.
Nos enforcamos nas cordas do destino
pela pressa da comunhão perfeita.
Nunca presenciei flor de segundo,
nem formiga de minuto,
ou borboleta de anos - luz...
O reflexo de um olho em êxtase
abriga ampulhetas e séculos inteiros.
Perecemos com as perguntas no anseio das respostas!
que se desfazem em respiração ofegante.
O que se quer alcançar na janela do imediato?
Antes mesmo de aquecer a comida já foi retirado o prato.
O que significa perder tempo?
Se o fruto amadurece em seu momento.
Nos enforcamos nas cordas do destino
pela pressa da comunhão perfeita.
Nunca presenciei flor de segundo,
nem formiga de minuto,
ou borboleta de anos - luz...
O reflexo de um olho em êxtase
abriga ampulhetas e séculos inteiros.
Perecemos com as perguntas no anseio das respostas!
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Sonata para um homem disperso
Perto do osso a carne é mais delgada,
assim como perto do fim o entendimento é mais vívido,
pois é desnecessário,
a beirar o esquecimento.
Vivemos quando da enunciação do cortejo fúnebre.
Decido não aguardar a prolatação do tempo de relógio.
Quero agarrar o momento já como predador faminto
à frente de seu suculento cervo saltitante.
Esse desejo de possuir o instante para que não se esvaia...
A carne da palavra amor só fica explícita
na eclosão do embrião-dor.
Melhor proteger a retina de uma grande verdade que do sol!
Findo minha busca quando ela se torna inacessível
à mágica do esplendor.
Meu sangue é inquieto.
O coágulo moroso.
Se querer é esperar,
trafico meus sentimentos para um dia encontrar,
nem que tenha com isso que iludir o verbo amar.
segunda-feira, 23 de maio de 2011
lavrador
http://www.youtube.com/watch?v=D9G_OLIsNIU&NR=1&feature=fvwp
Deixar que a poeira
desça aos pés
sem que sufoque a
construção do
hoje.
E os fatos,
incômodos imóveis
sem destituir meu
tangir.
Meus vícios de taberna
afugentam o calçado
incompreensível.
Em hiato o
deitar-se fica
corrompível.
Onde lavro minha
hemácia,
há esperança que
cresça
grama gris,
sem necessidade de
passagem das estações,
ja nascida impermeável,
sem desassossego.
Desamparo
de colheita imediata,
força o exercício da pressão.
Deixar que a poeira
desça aos pés
sem que sufoque a
construção do
hoje.
E os fatos,
incômodos imóveis
sem destituir meu
tangir.
Meus vícios de taberna
afugentam o calçado
incompreensível.
Em hiato o
deitar-se fica
corrompível.
Onde lavro minha
hemácia,
há esperança que
cresça
grama gris,
sem necessidade de
passagem das estações,
ja nascida impermeável,
sem desassossego.
Desamparo
de colheita imediata,
força o exercício da pressão.
Assinar:
Postagens (Atom)