sexta-feira, 12 de novembro de 2021

Nau trapilho




A poesia vem do acato.

Acato a Vida.

Pacato ate o 
esplendor do
Matuto.

Aplaca a dor felina
do ser em Trapo.

Decanta o que os sentidos
deixam em farrapo.

Na diáfana 
                poça intocada
vera o seu límpido 
retrato.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Hóspedes do sonho




Quando somos?


Se o que somos
são os andaimes
Do tempo em
deterioração...

Empreendimento
magistral 
da lama?
(ou do barro...)?

A crista pálida
da cega 
devoção
é o marco.

Criva vínculos
parasitas
na contemplação
da chegada
A lugar algum
(ou nenhum...)?

Sou o espectro
do seu olhar
Ofuscando o
perfume prolatado
Pelo inexorável suor
que te domina
Queima seus cílios
de seda...

[...]

Agora,
o coração se suja,
impregnado
pela baba lisérgica
da luxuria
A putrefação do papel
em decomposição,
O seco esperma
p
 e
   r
    dido na perna...

Mas quando seremos?

Se serenos
vagueiam na razão
do arco-íris...

Em períodos profiláticos,
máquinas decrepitam
o enterro da Soma do Eu:

Lúgubre terno tedioso e vadio
emplastrando palavras
Que digerem bocas...

No café da manhã
ministrados soníferos audazes
De infindável duração...

soníferos audazes
de infindável duração...

soníferos audazes
de infindável duração...

Somos?

terça-feira, 20 de junho de 2017

                                     
Palavras
são a fita 
que amarra
o buquê.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

O oceano do corpo encontra sua ilha sonífera



O vinco da cadeira de plás
ti co,
o re lógio deparede
ainda com pilhas
tic
   tac                                                                                    toc                   tum bum
           toc
                                tac tic                            tic
                                                                              toc
o som har mônico
balbuciado de caixas
inacústicas...
cor ria numa velo cidade que
                                              as pernas vergavam para
frente,
ao recostar na
pol trona,
seu copo de café com conhaque
                                                    ver
teu...

domingo, 5 de julho de 2015

Crisálida

                                                  (ao querido Lama Padma Santem)

Fui escrever um caminho
A ponta do lápis quebrou...

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Singular



Existem pessoas em nossas vidas
Que precisam apenas de um olhar
Aquele brilho que graceja manso
E sempre retorna quando fechamos a janela para sonhar...
Existem pessoas que transfiguram nosso tempo
Estão além de um momento da estrada
Queremos colocar uma poltrona no vagão
E leva-las para sempre em nossa viagem pela vida...

quarta-feira, 20 de maio de 2015

quinta-feira, 7 de maio de 2015

                              êmu                             
F        r
       Pala
                                           fita           (937)             

                                               Aos meus engodos de caverna,
                                                           
O odor FÉTIDO
quando fico DESERTO
contrasta com o ELIXIR
                                  TÉPIDO
quando estou em
SILÊNCIO
(desperto).

Exalo perfume ÍNTIMO
ao parar num ÁTIMO
de reagir AUTOMATO
a qualquer PÉRFIDO
                                     ESTÍMULO.

Comodatário ATÔNITO
respondo TRÊMULO
ao comando TÁCITO
do que eclode
                         TRÔPEGO.

Livro-me PLÁCIDO
quando não me iludo RÁPIDO
ao veneno DÚCTIL
que me espreita
                            LÁBIL.

                                                              
                                                                   que sutilmente tornem-se táteis...

domingo, 19 de abril de 2015

bumerangue de uivos



O cerrado mistério dos
olhos
apreensivos.

O vai e vem dos
aplausos,
conferências,
doenças que
dizimam.

Sempre as mãos
erguidas ao céu,
descobertas alquímicas
e os mesmos santos.

Fêmeas
transeuntes do ato,
gérberas
e poluções.

Os vícios a marcar
de dentro,
os jogos
e muros contingentes.

Contextos e famílias
a sobrepor,
credenciais de plástico
e danças folclóricas...

Tudo vários,
tudo Um,
tudo Nós...


sexta-feira, 10 de abril de 2015

Latas arrastadas (codeína telúrica)


Desimportantifique-se.                                       

É menos venéreo ser reconhecido pelo que não se é.

Não cosa um tapete para cada lugar que visitas.

Desaprenda a urgência habilitada a veste.
Seja anfitrião da nudez que hábil pousa.

Ao polir a ferradura que em pegada nomeia a terra,
fazes como o barqueiro que tendo remos naufraga ensacando peixes.

Enquanto esganeia-se em carimbar o vento,
escorre pelo intervalo o néctar do momento.

Tome doçura como alcova e cicuta para febre.

Coma urtiga por um tempo.

Acrescente flor de lótus como costura ao coração.

Dispa-se do lodo que emulsifica tua aparência sintética.

O peso do fórceps e o calar da noite dimensionam o tempo
sem rastelo ou pensamento.
E uma faísca não pode enamorar cimento (a pronúncia desencoraja o substantivo!)

Qual a primazia de um sorriso tatuado, indelével do próprio escarnecer?

Há duas abelhas mortas no frio azulejo da sala.
Formigas começam a tateá-las.


                                                   

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Janela


Janela.
Forma retangular que evoca passagens infindáveis.
Tece manhãs de quem não precisa sair
e dos que não conseguem.
Torna-se a linha entre o aguardado
e o que se guarda.
As lágrimas que ali caem,
ao misturar com a chuva,
libertam a escorrer para o Todo.
Dali vê-se quão diminutos
encarcerados humanos.
Real dimensão do que
alinha em fim...

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Casa Vazia



Gosto.
Desgosto.
            Gosto. Desgosto.          
 
Esgoto.






                                                                         Inquilinos...

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

cromossomo da compaixão



Com
       paixão.
Sem
       pai,
           
                   chão.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Arrebatei um chafariz ou diamante cremoso ou charuto grisalho



Debaixo do breu da manhã oficio nuvens distraídas.

E no raso das estrelas fugidias mergulho em claro.

Os inutensílios me são mais comuns que o dia.

E noites onde me escondo é quando restou nu.

A invenção e a mentira esbarram na saia uma da outra
fazendo moça de asas.

Quitei minha casa de letras com prestações de 18 luas sem giros.
Ainda falta incomodo para sentar só.
Mesmo assim meu silêncio tem me visitado todo dia.
Ele diz que no chão não da eco.
E a umidade faz cócegas
e sussurra indecências em seus ouvidos.

Antes que a barriga do sol ganhe graça
Fertilizo o sonho com a palavra germinal.
O lápis sente o tempero
e corre para a boca do papel.

Por uma brisa não esqueço de fechar o registro dos sopros.

"É  preciso transver o mundo".

À MaNoEl dE BaRrOs

domingo, 19 de outubro de 2014

Iracema, vó Cema, e a todas avós...

à minha querida vó,


Cuidado que não se expressa em palavra.
Refúgio que acalenta e conforta.
Cheirinho que traz à memória paz, fome e sossego.

Dos quitutes bronzeados ao forno,
o calor enternecido de mãos sedosas que afagam,
aveludadas pelo tempo que escapa.

Da envergadura arqueada
tem-se a atenção felina
de quem foi moldada
para observar o que esta ao redor.

Do alto do ombro pequeno e caído
surge a dimensão do mais tenro travesseiro
(aroma de leite de rosas!),
tão mágico que é capaz de enxugar lágrimas desavisadas.

Avó é esquecer-se em primazia.

É a arte do tempero único que adoça ao choro.
A pitada de sal que faz o riso rasgar a cara.
O contentamento simples em ouvir a última garfada a arranhar a louça.

Brilho esculpido em rugas de satisfação.

Alma que conduz o balanço do berço pela eternidade.
Olhar amoroso que aprendeu a esconder de nós o pesado fardo.
Quem duvida disso?

Vó...

É mãe ao quadrado!!!!!!!

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

              Esmola


Dei uma flor a ele pois era dia de finados.

Dei um adeus como quem se despede.

Dei uma prece barata cheia do que nem cabe.

E um relógio de pulso como brinde ao vento.

Que em caricias gratas me aprisionou no tempo.

Era pouco, hoje findo dissoluto argumento.

Camponesa austera tão peralta entrona pensamento.

Vendi a salvação por um punhado de excremento.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

                  Ávida escápula



Gangorras elétricas penduradas aos postes de iluminação pública.

Minha perna pendia ao vento tóxico.
E das cicatrizes atômicas escapavam revoadas de animais sintéticos.
Janelas atônitas praguejavam violetas plúmbeas a desabar em meu leito diagnosticado.

A febre que me impunha o novel delírio tinha o áspero odor da velha barbárie.

Decompunha meu ofício em ossos nauseabundos de anistia placentária...

quinta-feira, 19 de junho de 2014

A pequena Azaleia



Azaleia costumava deformar o pôr do sol.

Com seu abridor de manhãs rasgava o horizonte a libertar passarinhos.
Antes que o orvalho precipitasse a secar, sorvia-o integralmente em sua memória.
Hoje Azaleia mora na minha. 
É uma menina danada, de riso maroto.
Credencia suas pequenas glórias ficando com sono e recostando em meu ombro esquerdo.
Diz que tem uma amiga mariposa que fica em frenesi batendo as asas quando ela cantarola.
Convencida que seu maior pecado foi rir na contramão, Azaleia dá-me a mão e alucina as estrelas.
Gosta de trocar as vogais das palavras e secreta-me que é difácil viver.
Eu acredito...

terça-feira, 25 de março de 2014

Cicatrizes de alfazema



Há flores que não nascem em jardins.

Protuberam em aperto.
Espocam na junção 
de blocos de concreto.
Luzem em meio ao lixo.
Sinalizam...

Sobrevivem do descuido. 
Brotam do incerto.
Pululam...

Tortas, 
coloridas, 
disformes, 
silenciosas e 
fortuitas...

Em seu fascínio,
iludem as estações 
que fogem de seu 
sombrio encanto. 

Procriam!

Derradeiro solilóquio 
dos enfermos.
Na incredulidade, almam.

Em seu microscópico festim 
licencioso,
trafegam aéreas e indômitas
a perpetuarem-se nos entre, 
acima, 
abaixo,
e no meio do que a rotina 
nos furta...




***"almam" - não sei se existe em dicionários, mas seria o estado de quem resgata sua alma ao se deparar com uma flor. Do meu verbo almar!!!!!!